Como dar fim à corrupção?
Sábado de tarde, o pessoal assistindo um pouco de TV na sala, quando vejo que está passando aquele programa do Luciano Hook, "Soletrando". Era a etapa final, onde Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais estavam competindo. Assim que comecei a ver, a garota que representava o RJ tinha errado e saiu do programa. Aí, a disputa ficou entre o primeiro e segundo lugar.
O que me chamou atenção foi a forma com que o programa começou a ser conduzido: primeiro, a garota que representava o PR começou a receber palavras com algumas pegadinhas - e acertava - enquanto o rapaz de MG recebeu palavras difíceis, mas visivelmente sem o mesmo grau de dificuldade. No portal de notícias da Globo, há uma notícia comentando o seguinte:
Outra coisa interessante: ao soletrar a palavra "homogeneidade", o rapaz de MG soletrou errado. E ele mesmo percebeu o erro antes de terminar a digitação: no VT, a palavra foi escrita primeiro com um "T", corrigindo-se rapidamente por um "D" enquanto a digitação era feita. Se as duas coisas tivessem ocorrido separadamente, até seria algo comum - o digitador ter feito algum erro, ou o rapaz achar que errou e ter acertado. Mas as duas ao mesmo tempo? O que mais chama atenção foi a expressão do rapaz enquanto a correção rápida era feita no VT.
O programa terminou com a garota do PR errando a palavra hagiolágio, não colocando o primeiro H. Fico pensando se eles tivessem colocado o rapaz de minas para soletrar esta palavra (ou alguma das palavras anteriores dela), se ele teria acertado. Enfim, o programa terminou, e aí ele levou o primeiro lugar. Seria algo totalmente fútil e sem importância, até eu descobrir que quem ganhasse, levava R$ 100 mil em bolsa de estudos. R$ 100 mil!? Aí tudo fez sentido: o garotinho mineiro pobre e sofrido (é só ver a cara do rapaz que você entende..) versus a garota do sul rica e saudável (idem), que estudava em colégio militar. Quem iria ganhar?
Isso, claro, não é tudo: fiquei sabendo por quem estava assistindo que, entre um bloco e outro do programa, fizeram uma retrospectiva do história do garoto pobre, de como ele sofria, como a vida era difícil, e etc. Mais um sinal de quem iria ganhar o programa.
Talvez seja o pão e circo ideal para o povo: nada como mostrar "para o povão" que "quem é pobre também tem vez". Mas é uma pena ver que, num país onde se reclama da desonestidade de quem está no poder, não somos os primeiros a dar o contra-exemplo.
E é isso.
O que me chamou atenção foi a forma com que o programa começou a ser conduzido: primeiro, a garota que representava o PR começou a receber palavras com algumas pegadinhas - e acertava - enquanto o rapaz de MG recebeu palavras difíceis, mas visivelmente sem o mesmo grau de dificuldade. No portal de notícias da Globo, há uma notícia comentando o seguinte:
Para evitar suspeitas quanto à escolha das palavras, a emissora contratou uma empresa para fazer auditoria no sistema de computador que escolhe aleatoriamente os verbetes a serem soletrados.Cá entre nós, as palavras escolhidas "aleatoriamente" para a garota do Paraná tinham as piores letras e combinações - com H, S, C e X - enquanto o garoto de minas pegou algumas palavras desconhecidas, mas onde a maior dificuldade era colocar um S ou um C. Outra coisa interessante: por DUAS vezes, a pronúncia da palavra para a garota do PR foi confusa, chegando ao ponto dela pedir para confirmar qual era a pronúncia correta e os avaliadores repetirem mais uma vez para definir a pronúncia correta.
Outra coisa interessante: ao soletrar a palavra "homogeneidade", o rapaz de MG soletrou errado. E ele mesmo percebeu o erro antes de terminar a digitação: no VT, a palavra foi escrita primeiro com um "T", corrigindo-se rapidamente por um "D" enquanto a digitação era feita. Se as duas coisas tivessem ocorrido separadamente, até seria algo comum - o digitador ter feito algum erro, ou o rapaz achar que errou e ter acertado. Mas as duas ao mesmo tempo? O que mais chama atenção foi a expressão do rapaz enquanto a correção rápida era feita no VT.
O programa terminou com a garota do PR errando a palavra hagiolágio, não colocando o primeiro H. Fico pensando se eles tivessem colocado o rapaz de minas para soletrar esta palavra (ou alguma das palavras anteriores dela), se ele teria acertado. Enfim, o programa terminou, e aí ele levou o primeiro lugar. Seria algo totalmente fútil e sem importância, até eu descobrir que quem ganhasse, levava R$ 100 mil em bolsa de estudos. R$ 100 mil!? Aí tudo fez sentido: o garotinho mineiro pobre e sofrido (é só ver a cara do rapaz que você entende..) versus a garota do sul rica e saudável (idem), que estudava em colégio militar. Quem iria ganhar?
Isso, claro, não é tudo: fiquei sabendo por quem estava assistindo que, entre um bloco e outro do programa, fizeram uma retrospectiva do história do garoto pobre, de como ele sofria, como a vida era difícil, e etc. Mais um sinal de quem iria ganhar o programa.
Talvez seja o pão e circo ideal para o povo: nada como mostrar "para o povão" que "quem é pobre também tem vez". Mas é uma pena ver que, num país onde se reclama da desonestidade de quem está no poder, não somos os primeiros a dar o contra-exemplo.
E é isso.



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