Your Holy Grail.

O sentido da vida, a verdade do universo, e algumas trivialidades.

2009-06-18

Jardim do Éden

Pensando, depois de algumas horas de raciocínio, ainda fica a dúvida: talvez seja maturidade, ou talvez puro egoísmo.

A questão é simples: quando se é bem jovem, lá perto dos 18 anos, alguns têm aquela vontade de mudar o mundo, de fazer tudo diferente, e de tentar mostrar para todos que nem tudo precisa ser como sempre foi. Na história não falta gente assim, gente que veio e fez diferente, que morreu e ficou como exemplo. Tem uns que vivem até hoje, tentando mudar os que estão em volta - alguns conseguiram mais, outros menos.

O fato é que, enquanto tem este alguém pra puxar as coisas pra uma lado, pra tentar uma mudança geral, uma melhoria, sempre tem alguém pra segurar, puxar o freio de mão. E é claro que este alguém que freia normalmente é alguém que tem medo, seja de perder alguma coisa, ou de reconhecer que esteve errado por toda vida. Às vezes, é até alguém com poder de frear a mudança, de bloquear as tentativas de alterar a "ordem". E, por incrível que pareça, é o que normalmente acontece.

Nesta história, lá está aquele cara - o nosso herói - que quer ir mais, que quer ir além, quer ir aonde ele sabe que não tem porque não ir. Ele tenta levar todos à sua volta para este lugar - que não é nada mais do que um lugar inevitável aos que enxergam como ele. Mas aí, ele percebe que está praticamente sozinho na jornada. Ele traçou um caminho que ele mesmo enxerga, e mas mais ninguém - ou só alguns poucos - compartilham.

E aí, o que nosso herói faz?

Depois de tudo que passou, ele olha em volta, e decide trilhar o caminho com os poucos que o acompanham, e seguir viagem, sem parar os transeuntes para explicar aonde e nem porque está indo para o seu destino, sem conversar com ninguém sobre seus planos nem seus objetivos. Sua jornada é conhecida apenas pela sua mente, e nada mais.

Os que observam nosso herói, depois de toda esta transformação, pensam que ele é só mais um peregrino, que não tem caminho certo para ir e nem rota definida. Os que o conhecem de antes, sabem que ele tem um caminho certo e preciso, e que o seu silêncio se deve à sua convicção plena de estar seguindo-o corretamente.

Será este herói sábio por seguir suas convicções ou egoísta por não compartilhá-las?

Eu já não estou tão certo do que é egoísmo e do que é sabedoria. Só sei que, a partir de agora leitor, é com você.

E é isso.

2009-04-14

ADDmakler

Faz algum tempo - mais precisamente, assim que troquei o carro - que comecei a procurar uma seguradora que aceitasse segurar um veículo um tanto não-convencional contra terceiros - mais precisamente, um Jeep com 31 anos de idade.

As escolhas padrão, obviamente, não serviam: nem de longe uma BB Seguros ou similar iria aceitar um carro com estas características, já que a maior parte limita o seguro para carros com até 20 anos de fabricação.

Através de um ex-funcionário do BB que trabalhava com seguros, fiquei sabendo da ADDmakler, que realizava seguro de Jeeps pela HDI. Resolvi ir atrás desta opção, e aí.. bom, eis o resultado:

  • Depois de enviar o primeiro e-mail para o corretor, esperei 18 dias para receber a primeira cotação de seguro contra terceiros. Isso, claro, tendo que cobrar o corretor sobre a cotação por duas vezes, uma por telefone e outra por e-mail, sendo que o prometido era sempre "até amanhã" ou "até depois de amanhã". Além disso, após 13 dias de espera, o corretor em questão me trouxe uma <ironia>notícia avassaladora</ironia>: não seria possível fazer seguro total, só contra terceiros! Olha só que coisa, ele simplesmente descobriu a roda! Interessante é que, em todos contatos que fiz com ele, reforcei que o seguro que eu queria era só contra terceiros.


  • Depois de confirmado que iria seguir com o seguro, esperei 22 dias para receber uma proposta, tendo entrado três vezes em contato por e-mail e duas por telefone, sendo que o corretor não retornou nenhuma das ligações que fiz nem e-mails que enviei desde que confirmei o interesse na proposta.


  • Além disso tudo, depois que confirmei interesse numa cotação no valor de R$ 511,64, depois de toda essa demora em responder os meus contatos, me foi passado um contrato com o valor quase 30% maior, de R$ 674,69. Não por acaso, o primeiro já tinha sido "corrigido" de uma cotação anterior lá de março, que tinha ficado no valor de R$ 382,07.. quanto reajuste, não?


  • Por fim, mas não menos importante, me senti sendo atendido por um SAC: todos os dados foram repetidamente questionados, tanto endereço, quanto documentos do veículo, condutores, placa, etc. Ainda por cima, o contrato que me enviado tinha a placa escrita incorretamente.


O mais divertido foi ir na página principal da ADDmakler e encontrar sobre a missão deles, falando em preservar riquezas. A dos clientes com certeza que não é, porque eles não estão nem aí se eles estão sem seguro ou não - como no meu caso, que fiquei sem seguro 2 meses por causa desta papagaiada.

Por fim, antes mesmo de me enviarem o contrato - eu já estava esperando o pior - conversei com o pessoal da Simão Seguros, e fui prontamente atendido. Aliás, a cotação inclusive ficou consideravelmente menor, mesmo tendo pedido ela um mês depois da cotação da ADDmakler. Decerto não tinham feito o reajuste ainda...

Vale notar também que, depois que passei um sermão no cara que estava me atendendo, ele ainda atrasou para mandar a cotação - e provavelmente ficou sem ter onde meter a cara, visto que pediu pra outra pessoa me atender e mandar o e-mail com a cotação final. Mas não fez diferença: mesmo mandando uma resposta extremamente indignada, questionando os valores da empresa, e pedindo resposta de um superior, o máximo que recebi foi uma explicação pífia, sem qualquer retorno sobre o encaminhamento do e-mail.

Quer dizer, além de fazerem m*rda, ficam sem jeito de assumir, fazem pouco caso.. o cliente não importa pra eles.

A minha dica? Fiquem longe dessa empresa. Ou eles mudam a política, contratam gente nova, sei lá, mas isso mostra falta de comprometimento e contato com o cliente.

Observação: Isso tudo aconteceu no período de 10/julho/2008 até 18/setembro/2008. Guardei os e-mail, as datas e algumas anotações para escrever este post futuramente, mas acabei deixando pra depois, e ficou. Esses dias encontrei os arquivos, e resolvi publicar o que tinha: acho que outras pessoas podem passar pelo que passei, e é importante alertar os que estão procurando empresas sérias e que saibam como tratar o cliente.


E por enquanto, é isso.

2008-12-27

Conhecimento empírico.

Faz algum tempo, resolvi assistir a famosa ação-comédia Duro de Matar 4.0 (Die Hard 4.0). O filme realmente teve alguns pontos altos, mas uma cena específica me chamou atenção: quando o herói (Bruce Willis) está faze ndo uma curva para a esquerda em um caminhão, que inclina ao ponto de tombar, e ele atua como se estivesse fazendo força virar o volante para a esquerda.

Pode não parecer grande coisa, um erro de filmagem besta e sem importância, e realmente é. Eu também não sabia explicar exatamente o porquê no momento, só tinha uma forte intuição de que o filme estava errado - visto minha experiência como motorista por um bom tempo - então acabei não buscando uma explicação sobre isto.

Entretanto, pouco tempo depois de ter visto o filme, eu estava conversando com uns colegas numa mesa de bar, quando o tal filme virou assunto e comentei da cena absurda. Todos foram categóricos em dizer que não fazia diferença nem sentido o veículo puxar para um dos lados. Inclusive, um deles apontou que o esterçamento da roda era perpendicular com o chão, e não faria diferença alguma na altura do solo - o que foi tomado como opinião final pelos demais. Claro que eu não concordei, porque sabia que havia mais que apenas a ponta do iceberg, mas acabei deixando para lá por realmente ser uma coisa sem muita importância. Entretanto, a pulga já estava montando um puxadinho atrás da orelha.
Acabei lembrando do fato quando busquei informações sobre o sistema de direção utilizado nos jipes Willys e as possíveis adaptações, para realizar algumas melhorias no Eisengelb. Aí eu fiquei sabendo sobre cambagem, caster, e convergência, e foi quando descobri que assumir ângulos retos e linhas paralelas no alinhamento do sistema de direção é um erro gigantesco - e, claro, tive um bom embasamento teórico para o conhecimento que já tinha.

Isso me deu a certeza de que a intuição que tinha não era à toa, e que realmente existe a tendência do veículo capotar se o motorista não forçar a direção a se manter reta - os detalhes dependem dos parâmetros do sistema de direção, mas normalmente o comportamente é este mesmo: quando o veículo sai do chão, a direção puxa para o lado ao qual ele está fazendo a curva. Bom, depois de passado todo esse tempo, a discussão já tinha morrido e sido enterrada, mas pelo menos eu agora estava ciente de que não estava redondamente enganado.

A ironia do destino aconteceu ontem de tarde, quando estava sentado na frente da TV, que passava essa mesma cena do filme. Meu excelentíssimo progenitor, que já dirige há muito mais décadas que eu, aponta para a TV e diz:
Hah, olha só... ele tá virando a direção pro lado errado. Que fria, a curva era pra esquerda!

Se existe uma moral para se tirar desta história, acredito que seja: nada substitui a boa e velha experiência, especialmente aquela adquirida ao longo de vários e vários anos - exceto quando você for argumentar: neste caso, o que vale é o que você sabe explicar, não o que sabe fazer.

E, por enquanto, é isso.

2008-11-27

Cobertura Televisiva

Liguei a TV, ontem, e coloquei no Jornal Nacional. Esperava ver notícias - especialmente, estava esperando uma boa cobertura dos problemas aqui em SC.

Começaram a falar sobre o problema das chuvas que está ocorrendo em Santa Catarina, mas estranhei quando falaram que a chuva estava castigando "sul e sudeste". Até onde sei, a enchente mesmo era só aqui. Bom, aí mostraram dois minutos de reportagem, com um enviado especial em Florianópolis (que não teve enchente nenhuma, apesar de alguns alagamentos no sul da ilha), e mais dois minutos falando sobre alguns desbarrancamentos no Rio de Janeiro. E fim de papo.

Não é à toa que recebi um e-mail enfurecido, ontem mesmo, sobre a cobertura dos problemas ocasionados pela chuva em Santa Catarina pela mídia. Em especial, o e-mail citava diretamente a cobertura pela Globo - e pela própria RBS, que deveria ter uma ênfase muito maior aos problemas regionais do estado.

Hoje liguei a TV novamente e botei em dois tele-jornais diferentes: o Jornal da Record (Record), e o Jornal da Noite (Band). A cobertura de ambos para os problemas daqui foi impressionante: enviaram repórteres para Blumenau, Itajaí, para acompanhar os resgates, fizeram chamadas ao vivo, mostraram o presidente visitando o estado (embaixo de chuva, ironicamente), dando declarações com relação à ajuda que o governo prestará, entre outros...

Enfim, uma coisa é certa: nos tempos atuais, jornalismo de qualidade passa muito longe da Globo, e essa não é a primeira gafe mostruosa dela. Ela se tornou a representação de um legado - um nome forte, imposto pelas realizações do passado, mas sem perspectiva futura de conteúdo jornalístico que reflita o país. Aliás, ela pode ser considerada uma ótima rede de TV americana, já que a eleição de Barack Obama representou muito mais tempo nas telas do que o 78.000 pessoas desabrigadas no Brasil.

Bom, uma coisa é certa: ela continua uma ótima fábrica de novelas. Pelo menos, distrair o povo ela ainda consegue.

UPDATE (14/12/08): Um dia depois deste post ter sido escrito, recebi um e-mail/corrente sobre outras pessoas revoltadas com a falta de atenção dada pela rede Globo (nacional) sobre as enchentes. No mesmo dia, também soube da notícia do Lula ter sobrevoado o estado e liberado R$ 2 bi para reconstrução.

Ainda vi, no "Direto ao Ponto", um comentarista (que não me recordo o nome) dizendo "antes tarde do que nunca" para a liberação da verba. Também, desde quando começaram as primeiras notícias do problema, não havia posicionamento nenhum ao nível nacional sobre o que ocorreu.

Pois, depois de toda esta movimentação, o William Bonner veio à Blumenau apresentar o JN ao vivo da cidade. Aliás, ele ficou alguns dias por aqui, cobrindo os estragos da cidade, entrevistando moradores, entre outros. Claro, como muito tempo já tinha se passado, eles utilizaram muito das imagens da tragédia diretamente das filmagens da RBS, já que o que tinha restado era o trabalho de limpeza das áreas mais afetadas.

Bom, pra resumir, encerro com a mesma frase utilizada pelo apresentador do direto ao ponto: "antes tarde do que nunca".

E é isso!

E por enquanto, é isso.

2008-11-13

November Rain.

Passou a eleição, e o Dário foi eleito, como era de se esperar.

Pensando pelo lado do tal "sistema democrático", do voto popular, talvez as urnas sejam um belo reflexo de Florianópolis atualmente: muitas pessoas de fora(*) que só vieram pra cá pensando em fazer dinheiro, e se dar bem às custas dos recursos da cidade, que realmente não estão pensando em preservar nada daqui, que querem mais estradas, mais concreto por tudo que é lugar, que perpetuam o jeitinho brasileiro, etc...

Realmente, não poderia ser um outro governante. Temos no poder exatamente o que merecemos.

E é isso.

(*) Claro que não são todos. Mas uma coisa é certa: entre alguém dizer que está preocupado com o desmatamento, com a ocupação desordenada de cidade ou com a emissão de poluentes nos centros urbanos, e realmente fazer alguma coisa.. existe uma diferença bem grande!

2008-10-16

Florianópolis: hora da verdade?

No começo da campanha eleitoral, as coisas começaram de uma forma bem previsível: Espiridião Amin (11), um candidato antigo na vida política, disparou na frente, enquanto Dário Berger (15) estava em segundo lugar.

A campanha eleitoral foi tomando forma, novos candidatos apareceram, e as intenções de voto começaram a se alterar um pouco... o Dário passou na frente, o César Souza Júnior apareceu nas pesquisas.. até aí, tudo tranqüilo.

De repente, começaram algumas obras aqui e lá.. asfalto sendo realizado onde não havia necessidade, trânsito sendo desviado, ciclovias sendo pintadas no chão... e, por incrível que pareça, a intenção de voto do atual prefeito só subia...

Por fim, terminou o primeiro turno: Amin e Berger entraram no segundo turno.

Aí, o segundo turno começou.. as promessas apareceram, fotos de um monte de prédios/policlínicas/creches foram mostrados, e as intenções de voto começaram a tender - cada vez mais - para a atual administração.

Depois de toda esta papagaiada toda, até agora não entendi uma coisa: com a campanha que está sendo realizada até o momento, como o Dário pode estar na frente?

Você, caro leitor, pode estar se perguntando "mas o que ele tem contra o Dário?".

Bom, não é ter contra ou a favor, mas tem um fato interessante: enquanto ele era prefeito de São José, ele foi condenado a devolver dinheiro para os cofres públicos, e está sendo processado novamente por improbidade administrativa. Pergunto: você votaria no Maluf para prefeito? Poisé, eu também não.

Igualmente prioritário foi um incidente que marcou Florianópolis nos jornais e telejornais: A Revolta da Catraca. Lembram ocorreram manifestações contra o aumento abusivo da tarifa de ônibus? Poisé! O atual prefeito teve uma atuação desastrosa, dando declarações repreensivas e atacando o movimento com violência. A atuação da polícia foi um reflexo direto das suas palavras, e o que culminou em uma maior agressividade do movimento, atacando e depredando o patrimônio público.

Aproveitando, outro fato interessante: buscando alguns dados sobre os atuais prefeitos, encontrei dois links bem interessantes:

Para finalizar, não estou aqui querendo dizer que o Amin é o melhor candidato ou que é a solução para Florianópolis: estou querendo é dizer que o Dário Berger não é, nem de longe, uma boa opção para a cidade.

E é isso.

2008-08-23

Reflexões de sábado à tarde.

- Escuta só...
[....]
- Esse é o Michael Jackson agora?
- É sim.
- Nossa, a voz tá praticamente a mesma..
- Sim... ele não perdeu a voz, só o juízo!

2008-05-31

Como dar fim à corrupção?

Sábado de tarde, o pessoal assistindo um pouco de TV na sala, quando vejo que está passando aquele programa do Luciano Hook, "Soletrando". Era a etapa final, onde Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais estavam competindo. Assim que comecei a ver, a garota que representava o RJ tinha errado e saiu do programa. Aí, a disputa ficou entre o primeiro e segundo lugar.

O que me chamou atenção foi a forma com que o programa começou a ser conduzido: primeiro, a garota que representava o PR começou a receber palavras com algumas pegadinhas - e acertava - enquanto o rapaz de MG recebeu palavras difíceis, mas visivelmente sem o mesmo grau de dificuldade. No portal de notícias da Globo, há uma notícia comentando o seguinte:
Para evitar suspeitas quanto à escolha das palavras, a emissora contratou uma empresa para fazer auditoria no sistema de computador que escolhe aleatoriamente os verbetes a serem soletrados.
Cá entre nós, as palavras escolhidas "aleatoriamente" para a garota do Paraná tinham as piores letras e combinações - com H, S, C e X - enquanto o garoto de minas pegou algumas palavras desconhecidas, mas onde a maior dificuldade era colocar um S ou um C. Outra coisa interessante: por DUAS vezes, a pronúncia da palavra para a garota do PR foi confusa, chegando ao ponto dela pedir para confirmar qual era a pronúncia correta e os avaliadores repetirem mais uma vez para definir a pronúncia correta.

Outra coisa interessante: ao soletrar a palavra "homogeneidade", o rapaz de MG soletrou errado. E ele mesmo percebeu o erro antes de terminar a digitação: no VT, a palavra foi escrita primeiro com um "T", corrigindo-se rapidamente por um "D" enquanto a digitação era feita. Se as duas coisas tivessem ocorrido separadamente, até seria algo comum - o digitador ter feito algum erro, ou o rapaz achar que errou e ter acertado. Mas as duas ao mesmo tempo? O que mais chama atenção foi a expressão do rapaz enquanto a correção rápida era feita no VT.

O programa terminou com a garota do PR errando a palavra hagiolágio, não colocando o primeiro H. Fico pensando se eles tivessem colocado o rapaz de minas para soletrar esta palavra (ou alguma das palavras anteriores dela), se ele teria acertado. Enfim, o programa terminou, e aí ele levou o primeiro lugar. Seria algo totalmente fútil e sem importância, até eu descobrir que quem ganhasse, levava R$ 100 mil em bolsa de estudos. R$ 100 mil!? Aí tudo fez sentido: o garotinho mineiro pobre e sofrido (é só ver a cara do rapaz que você entende..) versus a garota do sul rica e saudável (idem), que estudava em colégio militar. Quem iria ganhar?

Isso, claro, não é tudo: fiquei sabendo por quem estava assistindo que, entre um bloco e outro do programa, fizeram uma retrospectiva do história do garoto pobre, de como ele sofria, como a vida era difícil, e etc. Mais um sinal de quem iria ganhar o programa.

Talvez seja o pão e circo ideal para o povo: nada como mostrar "para o povão" que "quem é pobre também tem vez". Mas é uma pena ver que, num país onde se reclama da desonestidade de quem está no poder, não somos os primeiros a dar o contra-exemplo.

E é isso.

2008-03-02

Overkill

Aproveitando o assunto do post anterior: substituí os gastos de combustível de 2.50 R$/L para 1.90 R$/L (em SC). É isso aí, agora o novo "possante" é equipado com um propulsor a diesel, chegando a fazer uma média de no mínimo 15km/l (por cálculos aproximados, até o momento). Por informações do dono anterior, a média pode chegar até 18km/l na estrada - andando em uma velocidade moderada (80-90km/h).



Um ponto muito importante do veículo é o motor: um VW 1.9 AP Diesel, que é utilizado em toda linha VW para exportação para a Argentina, e é utilizado em outros países onde é permitido o uso de diesel em veículos de passeio: Gol, Golf, Jetta, etc. Ou seja, é um motor recente: deverá funcionar perfeitamente com biodiesel B100 (biodiesel puro), e já está funcionando com B2 (2% de biodiesel no petrodiesel). Além da questão emulsificante (o biodiesel retira os resíduos das mangueiras/bomba/motor, da mesma forma que o óleo vegetal "limpa" as nossas veias), este é mais um passo à frente na eliminação do petróleo como matriz energética. E o meio ambiente agradece!

OBS: Para quem acha que um motor diesel é lento/pesado/poluente, convido a vir dar uma volta para verificar o desempenho in loco. :^)

E é isso!

2008-02-25

Automóveis ecológicos e econômicos.

Em uma discussão sobre economia de carros verdes, resolvi reforçar as pesquisas que tinha feito, e colocar o resultado um números. O que consegui encontrar, segue abaixo, junto com alguns comentários ao final dos números serem apresentados:

Automóveis pesquisados

Tesla Roadster

  • Motor: 185 kW (~248 HP), elétrico;
  • Autonomia: 350km (220milhas);
  • Consumo: 110 Wh/km;
  • Vel. Máx: 200km/h;
  • Bateria "Tesla", ??? kg (lítio-íon)
    • Recarga em 3h30 (no máximo);
    • Vida útil: 160 mil km (100 mil milhas) de carga total (depois, carga gradualmente menor).
Custo: ~R$ 170.000 (s/impostos), R$ 229.500 (c/impostos)

Palio Elétrico

  • Motor: 15 kW (~20 HP), elétrico;
  • Autonomia: 120 km;
  • Consumo: 166 Wh/km;
  • Vel. Máx. 130 km/h;
  • Bateria Zebra, 165 kg (níquel);
    • Recarga em 8h;
    • Vida útil: 130 mil km (vida completa da bateria).
Custo (previsão): Palio normal (R$ 30.000) + 50% = R$ 45.000 (c/impostos)

Audi A2 "3L"

  • Motor: 45 kW (60 HP), diesel;
  • Autonomia: ~1358 km;
  • Consumo: 25 mL/km (39.96 km/L ou 94 mpg);
  • Vel. Máx: 168 km/h;
  • Tanque de 34L, ~24.5 kg cheio (dens. diesel: 0.72 g/ml);
    • Abastecimento <= 5 min;
    • Vida útil: indeterminado.
Custo: ~R$ 50.380 (s/impostos), ~R$ 68.000 (c/imposto)

Custos

  • Custo Diesel combustível (SC): 1.90 R$/L
  • Custo kW-hora (SC): 0.38 R$/kWh (média entre custo Wh da faixa de "até 150kW" e "de 150kW a 300kW")
Gastos em uma viagem ida/volta de 300km (FNS <=> CWB):
Audi A2 3L: (300*2 / 40) * 1.90 = R$ 28.50
Palio Elétrico.: (300*2 * 166) * 0.00038 = R$ 37.85
Tesla Roadster: (300*2 * 100) * 0.00038 = R$ 22.80

Quilometragem necessária para que o custo do automóvel seja diluído, comparado a outro:
Audi A2 3LxPálio Elétrico~1.700.000km
Tesla RoadsterxPálio Elétrico~7.000.000km
Tesla RoadsterxAudi A2 3L~17.000.000km

Comparativo

Audi A4

Pontos favoráveis.
  • Custo/benefício melhor (pesando investimento inicial, manutenção, consumo);
  • Autonomia muito maior;
  • Economia comparável a um elétrico;
  • Tanque contendo óleo diesel, em vez de baterias de lítio (altamente explosivas, se sobrecarregadas);
  • "Recarga" praticamente "imediata".
Pontos desfavoráveis
  • Preço alto;
  • Potência relativamente baixa.

Tesla Roadster

Pontos favoráveis.
  • Economia e rendimento superior;
  • Motor elétrico, com curva de torque muito mais suave e homogênea;
  • Tecnologia de ponta.
Pontos defavoráveis.
  • Preço *muito* elevado;

Palio Elétrico

Pontos favoráveis.
  • Preço.
Pontos defavoráveis.
  • Autonomia;
  • Durabilidade da bateria.

Comentários e conclusão

Ao comparar os custos e em quantos quilômetros ocorre o retorno do investimento, podemos ver que a quilometragem não pode ser o único fator determinante, visto a alta eficiência de todos os carros. Precisamos pesar outros fatores, como manutenção, peças, e itens mais caros (como baterias) que podem precisar de substituição em certos momentos, o uso que se dará o carro (numa viagem, o tempo de recarga/abastecimento pode ser fundamental), entre outros.

A maior vantagem dos modelos movidos a motores elétricos, em detrimento aos de combustão interna, é a possibilidade de frenagem regenerativa, o que aumenta muito a economia de combustível - especialmente na cidade. Entretanto, um ponto muito favorável ao Audi A2 é a "expansibilidade" da autonomia já elevada: com um tanque de 70 litros (o dobro do tamanho do atual), aumenta-se a autonomia do carro para ~2700 km; ou seja, é possível ir praticamente de Porto Alegre até Ribeirão Preto, e voltar, abastecendo uma única vez: antes de sair (!).

Isto, claro, são modelos já existentes no mercado, trazidos aqui como opções "reais" para quem deseja uma alternativa ecológica de curto prazo. A minha escolha, sem sombra de dúvida, seria pelo veículo a diesel: ótimo para viajar, econômico, investimento com ótimo retorno. Não que as vantagens dos elétricos não sejam muito interessantes (curva de torque, menor peso e maior eficiência do motor, etc), mas não são suficientes para anular os pontos negativos.

Ponderando as vantagens e desvantagens de todos os modelos, fica a idéia de combinar ambos designs para resolver os problemas dos atuais métodos, conhecido atualmente através dos famosos "híbridos". Isto é, na minha opinião, um dos melhores caminhos a escolher - mas este assunto fica para um próximo post.

E é isso.

Bibliografia

2008-01-08

Consumismo da fé, parte I.

Assistindo TV, cheguei a um dilema: praca energética púrpura ou Forteviron?

E é isso.

2008-01-03

Ilusões idióticas.

Segundo dia do ano, eu sentado assistindo ao jornal calmamente, quando entra uma matéria falando que o governo vai alterar IOF e alguns outros impostos para compensar a perda da CPMF. Enfim, notícia que todo mundo já deve ter escutado, mas que pode ser conferida aqui para os detalhes.

Lá pelas tantas, o Mantega começa a falar sobre a "promessa" feita pelo governo à oposição, dizendo que não há quebra de "promessa" alguma nem retaliação - afinal, a promessa era só para 2007. Ahm.. beg your pardon?

Uma afirmação dessas, além de ser uma falta de respeito, significa subjulgar a inteligência de qualquer um que tenha o mínimo de bom senso. Afinal, esse imposto só deixa de valer em 2008. Se alguma coisa fosse feita antes disso, aí sim seria uma bela retaliação, servida em bandeja de prata - mas com mais cara de um "Big Brother Governamental" - por que será que o governo está enfurecido? será que ele está de mal com a oposição? - que de coisa séria.

Chamou minha atenção outro comentário do Mantega também, dizendo que não haveria "pacote" para cobrir a CPMF, mas que o governo estava "realizando medidas isoladas". E aí temos mais um joguinho de palavras - que pode até parecer bom para quem o fez, mas que chega a ser infantil.

Pode não ser um pacote com o nome "Plano Cruzado", mas o que é um pacote senão um monte de medidas isoladas, agrupadas com um nome bonitinho? Ou o ministro está querendo dizer que não foram verificados os reflexos destas medidas na economia, e que as medidas estão sendo simplesmente inseridas sem nenhum tipo de prévia análise? Obviamente não. Isto é sim um pacote de emergência, um "Pacote Gambiarra Tapa-Buraco", provavelmente com um nome/apelido interno bem menos publicável, e que só não foi nomeado pra tentar não chatear "a oposição".

Nessas horas, é mais ou menos como diz o William Bonner: espera-se que uma multidão de Homer Simpsons esteja assistindo. Então, pra quê dar uma explicação que faça muito sentido, se pouca gente vai se dar ao trabalho de fazer algum raciocínio? É mais fácil seguir dando explicações superficiais e/ou furadas, e taxar todo mundo que não concorda de "oposição". Afinal, de que seria um "bom governo" sem uma "boa oposição"?

E é isso.