Your Holy Grail.

O sentido da vida, a verdade do universo, e algumas trivialidades.

2011-01-25

APP pra quê?

Vi no jornal da RBS e na Record os repórteres comentando sobre a demolição de casas em Pacaquara - situação essa que reflete o que foi descrito anteriormente aqui, por exemplo.

Em todos casos foi comentado sobre a política habitacional da prefeitura - o Dário prometeu 1 ano de aluguel para todas famílias, mas na verdade erma só 2 ou 3 meses. Bom, pra começar, quem mandou votarem nele - não é mesmo? Agora que a lambança já foi feita, não adianta reclamar.

Entretanto, vi alguns falarem sobre "a insuficiência" da política sugerida, falando em outros moldes que poderiam ser adotados, entre outros. Sou totalmente favorável a programas de habitação para famílias sem condição e/ou em situação de pobreza, porém - ao contrário de algumas sugestões - acho que nada pode ser "dado" de mão beijada.

Temos que lembrar que estas famílias construíram casas em áreas de preservação permanente, coisa que normalmente é punível com multa e reclusão. A autoridade obviamente está usando de bom senso, como sempre deve utilizar, mas ninguém pode ganhar um prêmio por transgredir à lei.

É importante lembrar que, do outro lado, existem pessoas que trabalham 8, 10 ou até 12 horas por dia para construir sua residência legalizada, pagar arquiteto, engenheiro, altas taxas de prefeitura, cartório, vistorias, laudos, ARTs, e às vezes esbarram na falta de informação, falta de competência, ou até falta de caráter alheia, arriscando a ter que derrubar um muro, uma parede, ou até a casa por causa de alguns centímetros. E nisso, o dinheiro vai indo embora, enquanto a comida tem que continuar indo para a mesa.

Se entrarmos nessa política de "dar casa, comida e roupa lavada" sem nenhuma contrapartida, daqui a pouco vai ser mais negócio enterrar o dinheiro ou mandar pra Suíca, esconder tudo que você tem num canto, e fazer declaração de pobreza. Aí você ganha tudo que precisa - e ainda por cima tem um "dinheirinho" guardado.

E por enquanto, é isso!

2010-10-28

Gênios do dia-a-dia



Retirado daqui.

2010-10-19

Inexoráveis escolhas.

Sabe, depois de lidar o dia todo com números, você percebe que eles podem dizer muito, mas também podem dizer nada - podendo ser dispostos à vontade de quem os apresenta, e falando qualquer coisa.

Quando vejo essas comparações entre governo Lula e FHC, começo a tentar me colocar na época que cada um estava presidindo. Quando FHC assumiu a presidência, pegou o Brasil de presente de Itamar - apenas 2 anos depois de Collor fazer uma lambança na economia. É fato que Collor abriu a economia de uma maneira desastrada, implementou um "confisco" totalmente mal-pensado e mal-planejado, e ainda por cima nos brindou com escândalos de corrupção absurdos. Negócios quebraram, empresas faliram. O Brasil, que estava começando a se desenvolver, retrocedeu enormemente.

Qualquer blumenauense com mais de 2 décadas sabe ou já ouviu falar sobre como quase todo setor têxtil foi desmoronando à medida que as importações foram totalmente abertas do dia para a noite. Aliás, Blumenau era uma cidade economicamente muito forte antes do governo Collor, e foi praticamente reduzida a nada nos anos seguintes - só recuperando parte das suas forças bom tempo depois. Há de se lembrar também que o caso da nossa única montadora 100% nacional, que teve um enorme revés com diversas medidas impensadas do governo - como a retirada de benefícios, incentivos, e a negativa de alguns empréstimos - e acabou por falir ainda no governo Itamar. Ficamos sem tecnologia própria e sem alternativas realmente econômicas para o transporte urbano, por exemplo, tendo que recorrer às multinacionais. E isso que só estou falando de dois setores.

Resumindo, o Brasil que FHC teve de presente foi um Brasil com inflação galopante e uma balança comercial totalmente desequilibrada, empresas falidas, dívidas, entre outros. Para conter a inflação, o governo precisava conter gastos, limitar aumento nos salários, e por aí vai. Teorias básicas da economia, que acredito que qualquer um que queira ocupar o cargo de presidente deveria saber - um governo não pode simplesmente "distribuir dinheiro", pois fatalmente acabaria por quebrar a economia.

No caso do Lula, as coisas foram diferentes: o Brasil já estava muito melhor, não possuía mais a mesma instabilidade econômica de antes, e estava precisando que houvesse uma continuidade na política adotada por FHC. E é exatamente isso que o Lula fez.

Isso é uma coisa que me chama atenção na propaganda da candidata Dilma: fala-se sobre privatizações, sobre venda do patrimônio nacional, mas se esquece de comentar que Lula deu prosseguimento no programa brasileiro de privatizações - criado no governo anterior. Inclusive, a privatização de rodovias federais ocorreu justo na gestão de Lula!

O fato é que a gerência do Brasil foi relativamente boa e tanto iniciou quanto deu continuidade a diversos programas sociais e de incentivo ao setor privado. Claro que a segurança pública está um caos, tratamento de esgoto está uma vergonha - especialmente aqui, em Santa Catarina - e as nossas maiores instituições do legislativo e executivo sofrem com diversos escândalos de corrupção que afetam praticamento todos os braços - direitos e esquerdos - de boa parte das pessoas públicas que lá estão.

O que eu lembro nessa hora, entretanto, é das enchentes em SC, especialmente na região de Itajaí e de Ilhota, que devastaram o estado em 2008. De toda a verba prometida, só algumas moedas foram liberadas. Enquanto isso, a Bahia recebeu 90% da verba destinada a desastres naturais. Uma matéria sobre esse assunto pode ser vista aqui.

Ah sim, não podemos esquecer que a pequena verba liberada para SC foi "segurada" por muito tempo, o suficiente para que o processo não ocorresse durante o estado de calamidade pública, e entrasse num modo de licitação lento e moroso. Para se ter uma idéia, uma das entradas da cidade de Blumenau ainda contava com uma enorme vala e um desvio de trânsito até esse mês - ou seja, QUASE 2 ANOS depois das enchentes. Tudo por falta de verba prometida pelo governo federal. Esse tipo de atitude é uma típica perversão política, podendo ser comparada a uma compra de votos. Separar o povo dessa forma não é só uma falta de ética, é falta de caráter.

Alguns podem dizer que "agora está melhor que antes" - entretanto, me pergunto o que teria sido do Brasil se, por acaso, o PT tivesse assumido a presidência naquela época. Será que eles teriam o mesmo foco em direcionar as políticas públicas para uma vertente de equilíbro entre social e capital? Pessoalmente, tenho as minhas dúvidas. Aliás, acho que o legado da era FHC foi forte o suficiente para nortear o PT até o momento, mas daqui por diante as coisas tendem a caminhar por um outro rumo. O programa que Dilma Rousseff enviou ao TSE, dizendo depois que foi enviado por engano, não esconde boa parte da mentalidade ditadorial e retrógrada de algumas das principais cabeças do PT.

Cá entre nós, acho que estes são motivos de sobra para não votar na Dilma.

E é isso.

PS: Não sou pró-Serra, muito pelo contrário. Infelizmente, estamos num segundo turno sem opções.

Marcadores: , , ,

2010-10-07

Votação "reloaded".

Como disse a candidata Marina, esse é a segunda momento para reflexão dos brasileiros. E aqui estamos, para refletir sobre o que pensar num possível segundo turno.

Entre os candidatos que haviam à disposição do eleitorado, a minha primeira opção seria a Marina - discurso coeso, e alinhado com a ótica "verde", buscando enxergar o todo em vez de meia dúzia de obras ou medidas isoladas.

Enfim, o segundo turno chegou, e sobraram duas opções: Dilma ou Serra. Depois de muitas afirmações pra lá e pra cá, resolvi ir atrás de informação - de preferência imparcial. Joguei no bom e velho Google as palavras chave "Dilma" e "Serra", e fui atrás de dados sobre os nosso dois candidatos que restam.

Alguma coisa do que encontrei pelo caminho e achei mais relevante:

  • Serra, os discursos e as contradições.

    Um vídeo mostrando o candidato José Serra discursando sobre educação, mostrando contradições no discurso deste.

    Opinião pessoal: esperava mais de vídeo. Discordo do termo "contradições", mesmo porque mostrou basicamente o que o candidato falou, usando algumas entrelinhas para tentar dizer que o candidato não estava falando a verdade e/ou omitindo fatos.

  • Dilma volta atrás e diz que não vai taxar fortunas.

    A candidata Dilma, que anteriormente havia declarado-se favorável à taxação de fortunas, voltou atrás nas declarações.

    Nada a declarar. Pode ser que ela mude de idéia novamente até 2011.

  • Serra e a "prioridade" na educação.

    Um vídeo mostrando a Polícia Militar de SP agredindo manifestantes em um protesto pacífico. Este fato merece atenção, já que a repreensão violenta de movimentos pacíficos é condenável, e pode ser considerado uma forma de repreensão da liberdade de expressão.

    Entretanto, é interessante ler também este desabafo: Policial Civil é confundido com prefessor: preso, agredido e ameaçado. Um fato que me chamou a atenção foram as declarações do próprio policial civil, que foi bem imparcial nos comentários que fez.

  • Mulher de Serra diz que Dilma apóia matar criancinhas.

    Uma matéria falando sobre um comentário da mulher do candidato Serra. Ela, claro, se equivocou: quem é a favor do aborto não é a favor de matar criancinhas, e sim fetos.

    Por mais que possa não parecer pelo comentário acima, eu não tenho posição definida - nem contra, nem a favor legalizar ou alterar a legislação atual sobre o aborto, muito menos tenho opinião sobre como as pessoas devem fazer com a vida delas. Mas a definição de aborto é, querendo ou não, exatamente esta: matar fetos - se soa terrível, talvez seja porque possa ser considerado algo terrível.

  • Dilma volta atrás e condena aborto.

    A candidata Dilma, que anteriormente havia declarado-se favorável à legalização do aborto, voltou atrás nas declarações.

    Praticamente o mesmo da notícia anterior, sobre as fortunas. É provável que ela estava perdendo votos de uma grande fatia do eleitorado ao falar em descriminalização.

    Ah sim, é importante comentar que tanto esta notícia quanto a anterior mostram um descomprometimento com as promessas e posições de campanha - no mímino.

  • Para mulher de Serra, Bolsa Família é o Bolsa Vagabundagem.

    A mulher do candidato Serra se pronuncia novamente. Dá para perceber que ela não tem vocação para a política.

    Particularmente, eu concordo com uma outra opinião que li (não recordo a fonte), que falou sobre como o Bolsa Família era um bom programa e que deveria ser ampliado, mas precisava de uma contrapartida maior. Atualmente, o texto da lei 10.836 de 2004, fala apenas em acompanhamento pré-natal, nutricional, de saúde e escolar (exigindo 75% de freqüência mínima para as crianças em idade escolar).

    Percebi a falta de um tempo máximo de concessão do benefício, e outras contrapartidas que poderiam ser muito interessantes para estimular os beneficiados a se movimentarem em sentido a não mais precisar do benefício - formação escolar e profissionalizante, por exemplo.

    O comentário em si foi infeliz, mas pode ter sido tirado de contexto - assim como uma outro comentário do FHC, faz algum tempo.

  • Dilma e seus aliados

    Declarações dos políticos que estão apoiando Dilma. Dispensa comentários.

  • O PT e suas peripércias.

    Coletânea de notícias mais recentes, incluindo o caso Erenice Guerra.

Depois de todas estas notícias e mais outras tantas, cada vez encontro mais motivos para não votar na candidata Dilma, e alguns argumentos pontuais para não votar no candidato Serra.

No caso da Dilma, os impedimentos são vários:

  • falta de ética tanto no partido quanto na acessoria direta da candidata;
  • falta de compromisso com os interesses da população como um todo;
  • falta de posicionamento político definido;

Isso entre outros tantos motivos. Também não se pode usar o governo Lula como parâmetro para um "governo Dilma", como visto em diversas propagandas, ainda mais considerando que a história e formação dos dois indivíduos é muito diferente.

No caso do Serra, encontrei algumas referências falando sobre o programa dele como governador e prefeito de SP e a falta de atenção ao ensino estadual, com menção especial ao caso da agressão da Polícia Militar. Mas encontrei também boas referências, especialmente sobre os mutirões da saúde. Outra grande vantagem é que podemos avaliar os pontos fortes e fracos das gestões anteriores do candidato.

Mesmo tendo escolhido a Marina, a minha decisão já foi feita - independente de quem o PV apoiar no segundo turno. A minha decisão não é "vote Serra", e sim "NÃO vote Dilma". E aí, é como diria o velho ditado: quando não há mais escolha, escolhido está.

E é isso.

Marcadores: , , , ,

2010-02-26

To be or not to be: that's the rethorical question!


Venho através deste post trazer uma informação importante: este blog não está mais sendo atualizado e não mais o será por algum tempo.

Desde que comecei a bloggar, em meados de 2000 e tantos, foram diversos ''blogs'' diferentes, falando coisas como o dia-a-dia, opiniões, acontecimentos, notícias, entre outros.

Depois de todos esses anos, muita coisa aconteceu, mas a mais importante delas é que coloquei os pés no chão definitivamente: decidi o rumo que quero tomar para a vida, e passei a investir nas escolhas que fiz. Este investimento trouxe diversas responsabilidades, e o tempo que eu dedicava para este blog agora já não está mais disponível. Mas tudo bem, assim é a vida: fazemos escolhas, perdemos um pouco por aqui, mas ganhamos muito por lá.

Bom, agradeço aos leitores que visitam ou visitaram este blog: sem vocês, não existiria motivo algum para escrever qualquer coisa. Fica aqui o meu muito obrigado!

E por enquanto, é isso!

2009-06-18

Jardim do Éden

Pensando, depois de algumas horas de raciocínio, ainda fica a dúvida: talvez seja maturidade, ou talvez puro egoísmo.

A questão é simples: quando se é bem jovem, lá perto dos 18 anos, alguns têm aquela vontade de mudar o mundo, de fazer tudo diferente, e de tentar mostrar para todos que nem tudo precisa ser como sempre foi. Na história não falta gente assim, gente que veio e fez diferente, que morreu e ficou como exemplo. Tem uns que vivem até hoje, tentando mudar os que estão em volta - alguns conseguiram mais, outros menos.

O fato é que, enquanto tem este alguém pra puxar as coisas pra uma lado, pra tentar uma mudança geral, uma melhoria, sempre tem alguém pra segurar, puxar o freio de mão. E é claro que este alguém que freia normalmente é alguém que tem medo, seja de perder alguma coisa, ou de reconhecer que esteve errado por toda vida. Às vezes, é até alguém com poder de frear a mudança, de bloquear as tentativas de alterar a "ordem". E, por incrível que pareça, é o que normalmente acontece.

Nesta história, lá está aquele cara - o nosso herói - que quer ir mais, que quer ir além, quer ir aonde ele sabe que não tem porque não ir. Ele tenta levar todos à sua volta para este lugar - que não é nada mais do que um lugar inevitável aos que enxergam como ele. Mas aí, ele percebe que está praticamente sozinho na jornada. Ele traçou um caminho que ele mesmo enxerga, e mas mais ninguém - ou só alguns poucos - compartilham.

E aí, o que nosso herói faz?

Depois de tudo que passou, ele olha em volta, e decide trilhar o caminho com os poucos que o acompanham, e seguir viagem, sem parar os transeuntes para explicar aonde e nem porque está indo para o seu destino, sem conversar com ninguém sobre seus planos nem seus objetivos. Sua jornada é conhecida apenas pela sua mente, e nada mais.

Os que observam nosso herói, depois de toda esta transformação, pensam que ele é só mais um peregrino, que não tem caminho certo para ir e nem rota definida. Os que o conhecem de antes, sabem que ele tem um caminho certo e preciso, e que o seu silêncio se deve à sua convicção plena de estar seguindo-o corretamente.

Será este herói sábio por seguir suas convicções ou egoísta por não compartilhá-las?

Eu já não estou tão certo do que é egoísmo e do que é sabedoria. Só sei que, a partir de agora leitor, é com você.

E é isso.

2008-12-27

Conhecimento empírico.

Faz algum tempo, resolvi assistir a famosa ação-comédia Duro de Matar 4.0 (Die Hard 4.0). O filme realmente teve alguns pontos altos, mas uma cena específica me chamou atenção: quando o herói (Bruce Willis) está faze ndo uma curva para a esquerda em um caminhão, que inclina ao ponto de tombar, e ele atua como se estivesse fazendo força virar o volante para a esquerda.

Pode não parecer grande coisa, um erro de filmagem besta e sem importância, e realmente é. Eu também não sabia explicar exatamente o porquê no momento, só tinha uma forte intuição de que o filme estava errado - visto minha experiência como motorista por um bom tempo - então acabei não buscando uma explicação sobre isto.

Entretanto, pouco tempo depois de ter visto o filme, eu estava conversando com uns colegas numa mesa de bar, quando o tal filme virou assunto e comentei da cena absurda. Todos foram categóricos em dizer que não fazia diferença nem sentido o veículo puxar para um dos lados. Inclusive, um deles apontou que o esterçamento da roda era perpendicular com o chão, e não faria diferença alguma na altura do solo - o que foi tomado como opinião final pelos demais. Claro que eu não concordei, porque sabia que havia mais que apenas a ponta do iceberg, mas acabei deixando para lá por realmente ser uma coisa sem muita importância. Entretanto, a pulga já estava montando um puxadinho atrás da orelha.
Acabei lembrando do fato quando busquei informações sobre o sistema de direção utilizado nos jipes Willys e as possíveis adaptações, para realizar algumas melhorias no Eisengelb. Aí eu fiquei sabendo sobre cambagem, caster, e convergência, e foi quando descobri que assumir ângulos retos e linhas paralelas no alinhamento do sistema de direção é um erro gigantesco - e, claro, tive um bom embasamento teórico para o conhecimento que já tinha.

Isso me deu a certeza de que a intuição que tinha não era à toa, e que realmente existe a tendência do veículo capotar se o motorista não forçar a direção a se manter reta - os detalhes dependem dos parâmetros do sistema de direção, mas normalmente o comportamente é este mesmo: quando o veículo sai do chão, a direção puxa para o lado ao qual ele está fazendo a curva. Bom, depois de passado todo esse tempo, a discussão já tinha morrido e sido enterrada, mas pelo menos eu agora estava ciente de que não estava redondamente enganado.

A ironia do destino aconteceu ontem de tarde, quando estava sentado na frente da TV, que passava essa mesma cena do filme. Meu excelentíssimo progenitor, que já dirige há muito mais décadas que eu, aponta para a TV e diz:
Hah, olha só... ele tá virando a direção pro lado errado. Que fria, a curva era pra esquerda!

Se existe uma moral para se tirar desta história, acredito que seja: nada substitui a boa e velha experiência, especialmente aquela adquirida ao longo de vários e vários anos - exceto quando você for argumentar: neste caso, o que vale é o que você sabe explicar, não o que sabe fazer.

E, por enquanto, é isso.

2008-11-27

Cobertura Televisiva

Liguei a TV, ontem, e coloquei no Jornal Nacional. Esperava ver notícias - especialmente, estava esperando uma boa cobertura dos problemas aqui em SC.

Começaram a falar sobre o problema das chuvas que está ocorrendo em Santa Catarina, mas estranhei quando falaram que a chuva estava castigando "sul e sudeste". Até onde sei, a enchente mesmo era só aqui. Bom, aí mostraram dois minutos de reportagem, com um enviado especial em Florianópolis (que não teve enchente nenhuma, apesar de alguns alagamentos no sul da ilha), e mais dois minutos falando sobre alguns desbarrancamentos no Rio de Janeiro. E fim de papo.

Não é à toa que recebi um e-mail enfurecido, ontem mesmo, sobre a cobertura dos problemas ocasionados pela chuva em Santa Catarina pela mídia. Em especial, o e-mail citava diretamente a cobertura pela Globo - e pela própria RBS, que deveria ter uma ênfase muito maior aos problemas regionais do estado.

Hoje liguei a TV novamente e botei em dois tele-jornais diferentes: o Jornal da Record (Record), e o Jornal da Noite (Band). A cobertura de ambos para os problemas daqui foi impressionante: enviaram repórteres para Blumenau, Itajaí, para acompanhar os resgates, fizeram chamadas ao vivo, mostraram o presidente visitando o estado (embaixo de chuva, ironicamente), dando declarações com relação à ajuda que o governo prestará, entre outros...

Enfim, uma coisa é certa: nos tempos atuais, jornalismo de qualidade passa muito longe da Globo, e essa não é a primeira gafe mostruosa dela. Ela se tornou a representação de um legado - um nome forte, imposto pelas realizações do passado, mas sem perspectiva futura de conteúdo jornalístico que reflita o país. Aliás, ela pode ser considerada uma ótima rede de TV americana, já que a eleição de Barack Obama representou muito mais tempo nas telas do que o 78.000 pessoas desabrigadas no Brasil.

Bom, uma coisa é certa: ela continua uma ótima fábrica de novelas. Pelo menos, distrair o povo ela ainda consegue.

UPDATE (14/12/08): Um dia depois deste post ter sido escrito, recebi um e-mail/corrente sobre outras pessoas revoltadas com a falta de atenção dada pela rede Globo (nacional) sobre as enchentes. No mesmo dia, também soube da notícia do Lula ter sobrevoado o estado e liberado R$ 2 bi para reconstrução.

Ainda vi, no "Direto ao Ponto", um comentarista (que não me recordo o nome) dizendo "antes tarde do que nunca" para a liberação da verba. Também, desde quando começaram as primeiras notícias do problema, não havia posicionamento nenhum ao nível nacional sobre o que ocorreu.

Pois, depois de toda esta movimentação, o William Bonner veio à Blumenau apresentar o JN ao vivo da cidade. Aliás, ele ficou alguns dias por aqui, cobrindo os estragos da cidade, entrevistando moradores, entre outros. Claro, como muito tempo já tinha se passado, eles utilizaram muito das imagens da tragédia diretamente das filmagens da RBS, já que o que tinha restado era o trabalho de limpeza das áreas mais afetadas.

Bom, pra resumir, encerro com a mesma frase utilizada pelo apresentador do direto ao ponto: "antes tarde do que nunca".

E é isso!

E por enquanto, é isso.

2008-11-13

November Rain.

Passou a eleição, e o Dário foi eleito, como era de se esperar.

Pensando pelo lado do tal "sistema democrático", do voto popular, talvez as urnas sejam um belo reflexo de Florianópolis atualmente: muitas pessoas de fora(*) que só vieram pra cá pensando em fazer dinheiro, e se dar bem às custas dos recursos da cidade, que realmente não estão pensando em preservar nada daqui, que querem mais estradas, mais concreto por tudo que é lugar, que perpetuam o jeitinho brasileiro, etc...

Realmente, não poderia ser um outro governante. Temos no poder exatamente o que merecemos.

E é isso.

(*) Claro que não são todos. Mas uma coisa é certa: entre alguém dizer que está preocupado com o desmatamento, com a ocupação desordenada de cidade ou com a emissão de poluentes nos centros urbanos, e realmente fazer alguma coisa.. existe uma diferença bem grande!

2008-10-16

Florianópolis: hora da verdade?

No começo da campanha eleitoral, as coisas começaram de uma forma bem previsível: Espiridião Amin (11), um candidato antigo na vida política, disparou na frente, enquanto Dário Berger (15) estava em segundo lugar.

A campanha eleitoral foi tomando forma, novos candidatos apareceram, e as intenções de voto começaram a se alterar um pouco... o Dário passou na frente, o César Souza Júnior apareceu nas pesquisas.. até aí, tudo tranqüilo.

De repente, começaram algumas obras aqui e lá.. asfalto sendo realizado onde não havia necessidade, trânsito sendo desviado, ciclovias sendo pintadas no chão... e, por incrível que pareça, a intenção de voto do atual prefeito só subia...

Por fim, terminou o primeiro turno: Amin e Berger entraram no segundo turno.

Aí, o segundo turno começou.. as promessas apareceram, fotos de um monte de prédios/policlínicas/creches foram mostrados, e as intenções de voto começaram a tender - cada vez mais - para a atual administração.

Depois de toda esta papagaiada toda, até agora não entendi uma coisa: com a campanha que está sendo realizada até o momento, como o Dário pode estar na frente?

Você, caro leitor, pode estar se perguntando "mas o que ele tem contra o Dário?".

Bom, não é ter contra ou a favor, mas tem um fato interessante: enquanto ele era prefeito de São José, ele foi condenado a devolver dinheiro para os cofres públicos, e está sendo processado novamente por improbidade administrativa. Pergunto: você votaria no Maluf para prefeito? Poisé, eu também não.

Igualmente prioritário foi um incidente que marcou Florianópolis nos jornais e telejornais: A Revolta da Catraca. Lembram ocorreram manifestações contra o aumento abusivo da tarifa de ônibus? Poisé! O atual prefeito teve uma atuação desastrosa, dando declarações repreensivas e atacando o movimento com violência. A atuação da polícia foi um reflexo direto das suas palavras, e o que culminou em uma maior agressividade do movimento, atacando e depredando o patrimônio público.

Aproveitando, outro fato interessante: buscando alguns dados sobre os atuais prefeitos, encontrei dois links bem interessantes:

Para finalizar, não estou aqui querendo dizer que o Amin é o melhor candidato ou que é a solução para Florianópolis: estou querendo é dizer que o Dário Berger não é, nem de longe, uma boa opção para a cidade.

E é isso.

2008-08-23

Reflexões de sábado à tarde.

- Escuta só...
[....]
- Esse é o Michael Jackson agora?
- É sim.
- Nossa, a voz tá praticamente a mesma..
- Sim... ele não perdeu a voz, só o juízo!

2008-05-31

Como dar fim à corrupção?

Sábado de tarde, o pessoal assistindo um pouco de TV na sala, quando vejo que está passando aquele programa do Luciano Hook, "Soletrando". Era a etapa final, onde Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais estavam competindo. Assim que comecei a ver, a garota que representava o RJ tinha errado e saiu do programa. Aí, a disputa ficou entre o primeiro e segundo lugar.

O que me chamou atenção foi a forma com que o programa começou a ser conduzido: primeiro, a garota que representava o PR começou a receber palavras com algumas pegadinhas - e acertava - enquanto o rapaz de MG recebeu palavras difíceis, mas visivelmente sem o mesmo grau de dificuldade. No portal de notícias da Globo, há uma notícia comentando o seguinte:
Para evitar suspeitas quanto à escolha das palavras, a emissora contratou uma empresa para fazer auditoria no sistema de computador que escolhe aleatoriamente os verbetes a serem soletrados.
Cá entre nós, as palavras escolhidas "aleatoriamente" para a garota do Paraná tinham as piores letras e combinações - com H, S, C e X - enquanto o garoto de minas pegou algumas palavras desconhecidas, mas onde a maior dificuldade era colocar um S ou um C. Outra coisa interessante: por DUAS vezes, a pronúncia da palavra para a garota do PR foi confusa, chegando ao ponto dela pedir para confirmar qual era a pronúncia correta e os avaliadores repetirem mais uma vez para definir a pronúncia correta.

Outra coisa interessante: ao soletrar a palavra "homogeneidade", o rapaz de MG soletrou errado. E ele mesmo percebeu o erro antes de terminar a digitação: no VT, a palavra foi escrita primeiro com um "T", corrigindo-se rapidamente por um "D" enquanto a digitação era feita. Se as duas coisas tivessem ocorrido separadamente, até seria algo comum - o digitador ter feito algum erro, ou o rapaz achar que errou e ter acertado. Mas as duas ao mesmo tempo? O que mais chama atenção foi a expressão do rapaz enquanto a correção rápida era feita no VT.

O programa terminou com a garota do PR errando a palavra hagiolágio, não colocando o primeiro H. Fico pensando se eles tivessem colocado o rapaz de minas para soletrar esta palavra (ou alguma das palavras anteriores dela), se ele teria acertado. Enfim, o programa terminou, e aí ele levou o primeiro lugar. Seria algo totalmente fútil e sem importância, até eu descobrir que quem ganhasse, levava R$ 100 mil em bolsa de estudos. R$ 100 mil!? Aí tudo fez sentido: o garotinho mineiro pobre e sofrido (é só ver a cara do rapaz que você entende..) versus a garota do sul rica e saudável (idem), que estudava em colégio militar. Quem iria ganhar?

Isso, claro, não é tudo: fiquei sabendo por quem estava assistindo que, entre um bloco e outro do programa, fizeram uma retrospectiva do história do garoto pobre, de como ele sofria, como a vida era difícil, e etc. Mais um sinal de quem iria ganhar o programa.

Talvez seja o pão e circo ideal para o povo: nada como mostrar "para o povão" que "quem é pobre também tem vez". Mas é uma pena ver que, num país onde se reclama da desonestidade de quem está no poder, não somos os primeiros a dar o contra-exemplo.

E é isso.